Artigos :: SPB - Sistema de Pagamentos Brasileiro
Entenda o novo sistema de Pagamentos Brasileiro, e veja como a solução
SPB da CONSULTBRASIL pode ajudar instituições financeiras
a agilizar os seus processo tirando o máximo proveito desta transformação
do sistema financeiro nacional.
No menu que se segue abaixo, você encontra um roteiro sobre o novo
SPB:
O que é o SPB - Sistema de Pagamentos Brasileiro
Transição da compensação
de cheques e DOC's
Links Importantes sobre o SPB
O que é o SPB
- Sistema de Pagamentos Brasileiro
Problemas atuais
Os bancos têm no Banco Central (BC) uma conta denominada Reservas
Bancárias, que é similar a uma conta-corrente, pois nela
é processada toda a movimentação financeira diária
dos bancos, decorrente de operações próprias ou de
seus clientes.
Às 7h de cada dia, são lançados naquela conta os
resultados financeiros apurados em diferentes câmaras de compensação,
relativos a transações realizadas em dias anteriores nos
diversos mercados, bem como o resultado da compensação,
entre os bancos, dos valores pagos pelas pessoas físicas e jurídicas
por intermédio dos instrumentos de pagamento usuais no Brasil,
que são os cheques e os denominados DOC. Às 23h, é
lançado o resultado financeiro das negociações de
títulos públicos federais realizadas entre os bancos ao
longo do próprio dia.
Atualmente, ainda que o banco não disponha de saldo suficiente
em sua conta para satisfazer os pagamentos previstos para as 7h, o BC
dá curso à liquidação de tais obrigações
e o banco passa a apresentar saldo negativo na conta Reservas Bancárias.
Esse saldo negativo é, normalmente, regularizado às 23h,
pois os bancos mantêm títulos públicos federais em
volume suficiente para o adequado gerenciamento de seu caixa.
Em média, a soma dos saldos negativos nas contas Reservas Bancárias,
entre as 7h e as 23h de cada dia, atinge R$ 6 bilhões. Essa é
a dimensão do risco privado assumido diariamente pela sociedade
brasileira por intermédio do BC, devido à sistemática
operacional do sistema de pagamentos brasileiro.
É comum a argumentação de que, quando o problema
de liquidez de determinado banco é grave, o BC sustenta a sobrevida
da instituição por meio de empréstimos. Atuar de
modo diferente, quando configurado o problema, significa rejeitar aqueles
lançamentos das 7h, caso representem valor negativo que supere
a soma do saldo na conta Reservas Bancárias e do valor dos títulos
públicos federais de propriedade da instituição.
Ao rejeitar tais lançamentos, o BC estará transferindo
a falta de liquidez do banco para todo o resto do sistema financeiro e
para a clientela do sistema bancário. Isso pode gerar a denominada
crise sistêmica, com a quebra sucessiva de instituições
financeiras, em efeito dominó, e a interrupção da
cadeia de pagamentos do setor real da economia, seguida, invariavelmente,
de recessão econômica. Dimensionar o risco de crise sistêmica
nem sempre é trivial.
O balanço do BC, de junho de 2001, indica, para a data de liquidação
de algumas instituições, que os empréstimos com base
no PROER atingiram à cifra de R$ 16,9 bilhões e que outros
R$ 12,3 bilhões corresponderam ao saldo devedor nas respectivas
contas Reservas Bancárias. Esses últimos decorrem de lançamentos
não rejeitados, embora as instituições não
dispusessem de liquidez suficiente ou de garantias para oferecer em um
empréstimo.
Hoje, importantes câmaras de compensação, onde são
apurados os resultados financeiros de inúmeras transações
realizadas no País, são meras processadoras e o risco inerente
aos bancos que liquidam tais operações é suportado
diariamente pelo BC.
A câmara de compensação de cheques, operada pelo
Banco do Brasil, é um exemplo típico. Nela são compensados
mensalmente, em média, cheques e DOC no valor total de R$ 257 bilhões
(mais de R$ 12 bilhões por dia). Esses instrumentos de pagamento
são apropriados para operações de varejo, mas no
caso brasileiro, em face da ausência de alternativas, são
largamente utilizados para a liquidação de obrigações
de alto valor.
O convívio, em um mesmo ambiente, de instrumentos de pagamento
de baixo e de alto valor é inapropriado. As câmaras para
grandes valores têm foco no gerenciamento de riscos, com a exigência
de garantias e o estabelecimento de limites aos bancos. As câmaras
para o varejo são desenhadas com atenção especial
ao custo de transação, que se elevaria com a eventual exigência
de garantias.
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Soluções
A reestruturação do sistema de pagamentos compreende um
conjunto de medidas que solucionam os graves problemas apontados anteriormente.
Segue-se um resumo de cada uma das medidas:
- Monitoramento, em tempo real, do saldo de cada conta Reservas Bancárias,
não sendo admitido, a partir do dia 24 de junho de 2002, saldo
devedor em qualquer momento;
- Oferta de empréstimo ponte diário (redesconto intradia),
mediante operações de compra, pelo BC, de títulos
públicos federais dos bancos, que deverão recomprar os
títulos do BC no próprio dia, registrando-se em tempo
real o resultado financeiro na conta Reservas Bancárias. Isso
garante, sem risco para o BC, a oferta da liquidez necessária
(de R$ 6 bilhões, em média, como antes mencionado) para
o normal fluxo dos pagamentos ao longo do dia;
- Implantação de sistema que processará ordens
de transferência eletrônica de fundos entre bancos, inclusive
as por conta de clientes. Assim, passará a existir alternativa
segura aos cheques e DOC para a realização de pagamentos
de grande valor;
- Criação, pelo setor privado, de rede de telecomunicações
dedicada exclusivamente ao sistema financeiro e operada sob rígidos
padrões de segurança e confiabilidade definidos pelo BC,
permitindo a liquidação financeira em tempo real de transações;
- Assunção do risco privado pelo setor privado, com a
definição de regras mais rígidas para as câmaras
de compensação privadas, que deverão adotar adequados
mecanismos de gerenciamento de riscos, como o estabelecimento de limites
para os bancos com base no recebimento prévio de garantias. Se
o BC rejeitar lançamento na conta Reservas Bancárias de
um banco que não disponha de liquidez suficiente, a câmara
executará as garantias que lhe tenham sido entregues pelo banco
inadimplente e honrará os pagamentos correspondentes, com fundamento
na Lei 10214/2001;
- Adoção de mecanismo indutor à oferta, pelos bancos,
de novos produtos à clientela, que permitam a migração
dos pagamentos de valor maior do que R$ 5 mil, hoje realizados por cheques
e DOC, para instrumentos de pagamento eletrônicos adequadamente
estruturados.
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Impactos para a sociedade
As medidas acima mencionadas, entre outros aspectos positivos, retirarão
do setor público riscos privados, fortalecerão o sistema
financeiro, dotarão o país de sistema de pagamentos moderno,
reduzirão a percepção de risco do país e permitirão
maior atratividade para o capital externo, além de ganhos de eficiência
à economia. Importantes pontos, porém, não claramente
identificados pela sociedade, em particular pelo cidadão comum,
ainda que assim considerado o que tem acesso ao sistema bancário.
Para esse cidadão comum, e considerando a totalidade do sistema
bancário, surgirá, de pronto, a possibilidade de transferir
recursos de sua conta-corrente para conta de outra pessoa em banco diferente
do seu, em agência de qualquer localidade do país, sendo
o recurso imediatamente disponível para o destinatário.
Isso hoje não ocorre, pois, na melhor das hipóteses, o recurso
depositado por cheque torna-se obrigatoriamente disponível ao destinatário
no prazo de um a quatro dias úteis, podendo se estender a vinte
dias úteis quando envolver agências localizadas em cidades
de difícil acesso.
De negativo, poderá ocorrer, também considerando a totalidade
do sistema bancário, o surgimento de tarifa para cheques de valor
igual ou superior a R$ 5 mil (que representam pouco mais de 1% da quantidade
de cheques emitidos diariamente e 69% do respectivo valor total).
Diz-se "poderá ocorrer", porque o mecanismo indutor
à migração, estabelecido pelo BC, será aplicado
sobre a rede bancária de forma escalonada a partir de agosto de
2002. Ademais, o BC admite que, a partir de fevereiro de 2003, caso os
cheques de valor igual ou superior a R$ 5 mil correspondam a até
20% do valor total dos cheques hoje emitidos, nada será exigido
dos bancos.
Isso propiciará ao sistema financeiro tempo suficiente para oferecer
novos produtos, estendendo-os à sua clientela paulatinamente. É
de se esperar que os grandes clientes tenham acesso imediato a produtos
mais eficientes, o que permitirá que, afetando positivamente pequena
parcela de seus clientes, os bancos reduzam, em curto tempo, substancialmente
o valor total dos cheques emitidos com valor a partir de R$ 5 mil. Pode-se
imaginar, também, que no espaço de até um ano, cartórios
de registro de imóveis, grandes concessionárias de veículos
e empresas atacadistas, por exemplo, disponham de terminais bancários
que permitam a realização de pagamentos eletrônicos
e dispensem a necessidade de emissão de cheques.
Ademais, alguns bancos poderão voltar a estabelecer prazo de bloqueio
para os depósitos realizados por meio de cheques igual ao máximo
permitido pelo BC. Durante o período de elevada inflação
e em face da concorrência no setor, muitos bancos dispensaram o
bloqueio temporário dos recursos depositados por cheques, permitindo
que seus clientes movimentassem tais depósitos por meio de cheques
ou DOC. Alguns o fizeram para a totalidade de sua clientela. Houve aqueles
que mantiveram, no particular, os procedimentos usuais, ou estenderam
a outros clientes o tratamento especial que sempre dispensaram às
grandes corporações.
Esse novo comportamento dos bancos decorrerá do fato de que, hoje,
depósitos ou saques por cheques geram lançamentos na conta
Reservas Bancárias sempre no dia útil seguinte. Com a introdução
de sistemas eletrônicos de transferência de fundos acessíveis
à clientela, com a conseqüente movimentação
de Reservas Bancárias em tempo real, recurso depositado por cheque
e transferido eletronicamente no mesmo dia afetará negativamente
o fluxo de caixa do banco.
Vale notar que eventual restrição poderá ser diferenciada.
Alguns bancos poderão restringir apenas as transferências
eletrônicas de recursos depositados por cheques, permitindo que
esses depósitos sejam movimentáveis no próprio dia,
desde que por cheques, exatamente como fazem hoje.
Os fundos de investimento, da mesma forma, poderão vir a alterar
a regra para a aplicação e o resgate de cotas, somente aceitando
a conversão em cotas de recursos disponíveis. Cabe lembrar,
porém, que embora observem certo padrão, as regras de cada
fundo, a exemplo do acima exposto quanto aos bancos, hoje são diferenciadas,
cabendo ao investidor escolher livremente em qual aplicar seus recursos.
Foi determinado, porém, que até 28 de fevereiro de 2002,
os fundos informem seus cotistas quanto a eventual alteração
na política de conversão de cotas.
O BC estabeleceu, ainda, que os depósitos até R$ 5 mil,
efetuados por intermédio de cheques em contas de poupança,
continuarão a ter o mesmo tratamento atual, de serem remunerados
a partir da data em que realizados.
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Benefícios
- Possibilidade de transferência imediata de dinheiro: um cliente
de um banco em Parintins (AM) pode transferir, no mesmo dia, dinheiro
de sua conta corrente para a conta de outra pessoa em outro banco, em
Santana do Livramento (RS), por exemplo.
- Agilidade: os recursos ficam disponíveis no dia da transferência.
- Segurança e confiabilidade: redução do risco
de crédito nos pagamentos, que são irreversíveis
(não podem ser sustados ou devolvidos por falta de fundos, como
pode ocorrer com cheques).
- O Brasil terá um sistema de pagamentos similar aos melhores
do mundo.
- O SPB ajudará a melhorar a imagem do País internacionalmente
e a reduzir o Risco Brasil.
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Transição da Compensação
de Cheques e DOCs
A emissão de cheques e DOCs de valor igual ou acima de R$ 5.000,00
não será proibida, mas vai ser desestimulada, para promover
a redução do valor total da compensação de
cheques. Essa é uma das medidas previstas no projeto de Reestruturação
do Sistema de Pagamentos Brasileiro, visando a minimizar o risco de crédito
dos beneficiários.
Os bancos poderão oferecer serviços para que os clientes
possam substituir o uso de cheques e DOCs, podendo utilizar a Transferência
Eletrônica Disponível - TED, que será mais rápida
(transfere o dinheiro no mesmo dia), mais segura e deverá ser mais
barata do que cheques e DOCs.
Desde 22 de abril até novembro de 2002 os bancos e os clientes
terão prazo para a transição, pois somente a partir
de novembro passam a valer as metas de redução do volume
de cheques e DOCs de valor igual ou superior a R$ 5.000,00 impostas pelo
Banco Central para todos os bancos. O banco que não cumprir a meta
estabelecida para cada período deverá recolher ao Banco
Central, antecipadamente, o valor que exceder as metas.
A partir de fevereiro de 2003, o Banco Central admitirá que valor
correspondente a até 20% dos cheques e 3% dos DOCs de valor igual
ou superior a R$ 5.000,00 dos atualmente em uso continuem a transitar
pela compensação de cheques, sem qualquer exigência
de depósito prévio.
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